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“A FUGA AOS IMPOSTOS É UM DESPORTO NACIONAL E A CORRUPÇÃO UM HOBBY”

by Nuno Barroso
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“A fuga aos impostos é um desporto nacional e a corrupção um hobby”

O presidente da APIT defende uma maior aposta na educação para a cidadania fiscal.

Nuno Barroso falou sobre o tema da evasão fiscal no Dia Internacional Contra a Corrupção.

O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Inspeção Tributária e Aduaneira (APIT) mostra-se preocupado com o comportamento da sociedade face à evasão fiscal. De acordo com Nuno Barroso, que participou esta segunda-feira nas comemorações portuguesas do Dia Internacional Contra a Corrupção, em Guimarães, deve haver uma maior consciencialização sobre a matéria junto das crianças.

Uma sondagem Expresso/SIC, elaborada este ano pelo ISCTE/ICS, dá nota que 23% dos portugueses inquiridos afirma que a corrupção é o tema que os mais preocupa, apenas atrás da saúde (25%). Recorrendo a esse dado e comparando com outro, o líder da APIT refere que “não é normal” que “nove em cada dez portugueses admita que a corrupção faz parte do seu dia-a-dia”.

Apesar de considerar que “a percepção foi mudando” nos últimos tempos e que “as pessoas estão neste momento mais atentas e já compreendem que a fuga aos impostos tem implicações na sua vida, reduzindo depois a capacidade do Estado de pagar serviços públicos”, Nuno Barroso considera que “a fuga aos impostos continua a ser uma espécie de desporto nacional e a corrupção um hobby”.

Plano que promove cidadania fiscal recusado várias vezes pelo Governo

Para melhorar o registo existente em Portugal em matéria de corrupção, o presidente da APIT defende uma maior aposta na “educação para a cidadania”, referindo que esse processo começou a ser trabalhado no final da década passada, mas que depois foi “quase abandonado” com a diminuição do número de professores. “Aquilo que é exigido neste momento aos professores não lhes permite ter tempo ou disponibilidade para uma educação para a cidadania diferente”, explica.

Nuno Barroso deixa também algumas críticas aos diferentes Executivos, recordando que, em 2009, a APIT apresentou “um plano de educação, com as melhores experiências europeias e da América do Sul, para a cidadania fiscal – neste aspecto, o Brasil é um exemplo -, que foi sendo recusado por todos os Governos das várias cores políticas” .

O presidente da APIT participou esta segunda-feira no painel “A Prioridade da Proteção de Denunciantes”, no qual também fez parte Ana Gomes, enquadrado nas comemorações do Dia Internacional Contra a Corrupção, que tiveram lugar no Centro Internacional das Artes José de Guimarães.

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